A simplicidade chega junto com o aperto de mãos forte e um sorriso que te convida (sempre) para uma boa história. São casos que mostram o sucesso de um produtor que recebeu do pai, senhor Aprígio Tavares Jr., a lealdade no mundo dos negócios como a grande origem profissional. Ricardo Tavares tem caminhada de sucesso e os olhos cheios de brilho quando o rumo da prosa é o café superespecial brasileiro.

Ricardo Tavares é aquele tipo de gente que conversa pelo olhar. A simplicidade no sorriso e a fala mansa mostram muito de um cara que foi muito bem conduzido por toda a cadeia produtiva do café. São passos que tiveram o trabalho duro de senhor Aprígio Tavares Jr. como o principal fio condutor de todo o processo.

Para você entender, tudo começou há quase 70 anos, em 6 de outubro de 1953, quando senhor Aprígio começou a escrever (com letras garrafais) a história da família no mundo cafeeiro, com a compra de grãos de pequenos produtores. Essa escolha traz o simbolismo de quem carrega na veia o sangue pulsante do empreendedorismo e a audácia como heranças de DNA. 

Tal condução enchia os olhos de Ricardo e fez dele sempre muito agarrado ao pai. Ainda com 14 anos, durante as viagens de férias, ele optava pela boleia do caminhão (e a companhia de Aprígio) como destino para o descanso escolar. Era o jeito de ficar mais perto do pai e ajudá-lo naquilo que precisasse – inclusive para descarregar as sacas de café ou para emendar o papo pelas estradas. 

Por isso mesmo, continuar todo esse legado é, sem dúvidas, um dos principais orgulhos desse produtor, que decidiu que ser guiado profissionalmente pelo rastro deixado pelo pai por toda a cadeia produtiva do café seria a escolha profissional da vida. 

Quando, em 1984, o Café Três Corações decretou falência, todo o patrimônio da família estava lá. A solução encontrada por senhor Aprígio foi a de pegar as rédeas e o comando da empresa. Ricardo, aos 22 anos, não teve dúvida e foi junto com o pai. Depois de muito trabalho duro e noites mal dormidas, a família reergueu a fábrica, lançou novos produtos e levou o nome do café para todo Brasil. Até que, em 2002, a empresa foi vendida.

Ricardo deixa claro que chegar a uma explosão de sabores com café superespecial não é nada fácil. Mas a concretização do trabalho duro vem, e o retorno de tanto cuidado com os grãos chegou. Em 2018, a Fazenda Primavera (localizada na região da Chapada de Minas) conquistou reconhecimento com o almejado título de Melhor Café do Brasil pelo campeonato Cup of Excellence, com 93.89 pontos. Mas não parou por aí. Naquele mesmo ano, depois de disputar com mais de 15 países produtores, alcançou a maior pontuação do mundo pelo Cup of Excellence. 

Surpreendente! É assim, com a humildade característica e o sorriso de canto de boca, que Ricardo responde como recebeu a notícia da primeira colocação no campeonato mundial – até porque aquele ano havia sido a primeira vez em que eles disputavam a competição. Foi uma alegria que irradiou por toda a Primavera e deixou claro, por cada canto da lavoura, que eles foram responsáveis pelo Melhor Café do Mundo.

“Fazer café superespecial depende de uma série de coisas: região certa, altitude certa, pessoas certas, o café certo e o pós-colheita certo. É uma coincidência de vários fatores. Nada pode dar errado. E ser o melhor do Brasil não é fácil. São mais de 300 mil produtores para conseguir ganhar um prêmio como esse. É um negócio difícil. Imagina ganhar como o Melhor Café do Mundo?”, conta Ricardo, que enche os olhos ao falar da dedicação do filho, Leo Montesanto, aos negócios e da alegria de conduzir os netinhos Antônio, Vicente, Matias e Bento pelas lavouras.